O radical grego anomia, que significa ilegalidade, foi usado por Emile Durkheim ao fim do século XIX para batizar o fenômeno de descontrole social observado nas sociedades que passam por grandes transições. O contrato social desmorona e sua imediata conseqüência e a insegurança, disse ele. Robert Merton acrescentou posteriormente que a anomia podia englobar o crime e a apatia social.
Basicamente o fenômeno se reduz à ausência de conceitos de moralidade e falta de controles sociais, tendo como nascente o colapso da autoridade tradicional.
Nos dias atuais, quem se arriscaria a definir quais os conceitos morais vigente em nosso país?
A transição pela qual passamos, além de um fenômeno histórico, é inevitável. Aprendemos que a trajetória da humanidade é cíclica, e como tal, comporta em suas mudanças, a dor, em paralelo com a vida.
O grande problema, sem solução aparente, será a projeção para um futuro muito próximo do resultado desta transformação, já que a sociedade terá que ir em frente usando os alicerces definidos no presente.
Não sejamos catastróficos, sejamos verdadeiros: a nossa sociedade brasileira caminha para o abismo. Os escândalos diários, a insegurança, o cinismo e o levar vantagem em tudo, em pouco tempo vai transformar em pó, o pouco de vergonha que ainda nos resta.
Que exemplo pode dar um governo que possui em seu quadro legislativo parlamentares como o senhor Ladim? Que se pode esperar dos desesperados que observam a boa vida de todos os envolvidos nos roubos de verbas publicas? E a forte suspeita de que um parlamentar mandou assassinar outro para assumir seu lugar? Um juiz da mais alta corte do país é suspeito de vender sentenças.
De certa feita, a polícia do Rio de Janeiro prendeu um ladrão de residências que atuava em áreas nobres da cidade. Após o susto, o meliante perguntou se realmente seria preso. Se não havia uma maneira de contornar aquilo. Ao receber a resposta que não, que seria preso, indagou: o senhor acha justo eu ir para a cadeia com tantos ladrões solto em Brasília? Roubando o dinheiro que seria para matar a fome de um monte de miseráveis? O senhor acha justo trabalhar o dia todo e no fim mês ganhar salário mínimo? Se o senhor me achou, sabe como eu roubo. Roubo apenas os que roubam do povo e eles merecem mais do que ser roubados. Um grande candidato a Robin Hood.
Não sei sinceramente, como foi que terminou a cena acima. Fica para a imaginação do leitor. Seja qual for espero que tenha sido uma solução lógica.
A sociedade em crise grave, precisa, assim como o corpo humano, criar defesas subjetivas, as quais os psicólogos chamam de racionalização. O exemplo será sempre a fabula de La Fontanie, A raposa e as uvas. Sem poder alcançar as uvas, a raposa argumenta: também elas (as uvas) estão verdes. Não pode suportar sua incompetência, logo terá que arranjar um modo de sobrepor tal dificuldade, camuflando-o e assim continuar vivendo, mesmo com o fracasso.
Os governantes fazem isto todos os dias. Todos os problemas, todos os objetivos não alcançados, recebem as mais variadas desculpas. A mais comum: a falta de verbas. Vemos que não e verdade. Os bancos suíços não nos deixam mentir.
A doença que hoje corroei a sociedade brasileira não surgiu de uma hora para outra. Ela vem se potencializando anos após anos.
Na década de trinta, quando havia uma discussão sobre a nova constituição brasileira, perguntou-se a Capistrano de Abreu, qual o artigo ele gostaria de ver inserido na nova carta. Sem titubear, disse: a constituição deveria ter apenas dois artigos. O primeiro: todo brasileiro é obrigado a ter vergonha na cara. O segundo: revogam-se todas as disposições em contrario.
As inevitáveis mudanças pelas quais passa a sociedade, não necessitam ter como ingredientes a falta de vergonha, o crime desmedido, a ausência de conceitos morais. A balburdia instalada nada mais é do que a aceitação do oportunismo, do jeitinho, da predominância das aparências, tudo em detrimento da capacidade.
Como será o futuro da sociedade cuja juventude se delicia em bailes funk, canta e dança équinha pocotó, e o sonho de consumo é um tênis de marca?
Aurílio Nascimento
Basicamente o fenômeno se reduz à ausência de conceitos de moralidade e falta de controles sociais, tendo como nascente o colapso da autoridade tradicional.
Nos dias atuais, quem se arriscaria a definir quais os conceitos morais vigente em nosso país?
A transição pela qual passamos, além de um fenômeno histórico, é inevitável. Aprendemos que a trajetória da humanidade é cíclica, e como tal, comporta em suas mudanças, a dor, em paralelo com a vida.
O grande problema, sem solução aparente, será a projeção para um futuro muito próximo do resultado desta transformação, já que a sociedade terá que ir em frente usando os alicerces definidos no presente.
Não sejamos catastróficos, sejamos verdadeiros: a nossa sociedade brasileira caminha para o abismo. Os escândalos diários, a insegurança, o cinismo e o levar vantagem em tudo, em pouco tempo vai transformar em pó, o pouco de vergonha que ainda nos resta.
Que exemplo pode dar um governo que possui em seu quadro legislativo parlamentares como o senhor Ladim? Que se pode esperar dos desesperados que observam a boa vida de todos os envolvidos nos roubos de verbas publicas? E a forte suspeita de que um parlamentar mandou assassinar outro para assumir seu lugar? Um juiz da mais alta corte do país é suspeito de vender sentenças.
De certa feita, a polícia do Rio de Janeiro prendeu um ladrão de residências que atuava em áreas nobres da cidade. Após o susto, o meliante perguntou se realmente seria preso. Se não havia uma maneira de contornar aquilo. Ao receber a resposta que não, que seria preso, indagou: o senhor acha justo eu ir para a cadeia com tantos ladrões solto em Brasília? Roubando o dinheiro que seria para matar a fome de um monte de miseráveis? O senhor acha justo trabalhar o dia todo e no fim mês ganhar salário mínimo? Se o senhor me achou, sabe como eu roubo. Roubo apenas os que roubam do povo e eles merecem mais do que ser roubados. Um grande candidato a Robin Hood.
Não sei sinceramente, como foi que terminou a cena acima. Fica para a imaginação do leitor. Seja qual for espero que tenha sido uma solução lógica.
A sociedade em crise grave, precisa, assim como o corpo humano, criar defesas subjetivas, as quais os psicólogos chamam de racionalização. O exemplo será sempre a fabula de La Fontanie, A raposa e as uvas. Sem poder alcançar as uvas, a raposa argumenta: também elas (as uvas) estão verdes. Não pode suportar sua incompetência, logo terá que arranjar um modo de sobrepor tal dificuldade, camuflando-o e assim continuar vivendo, mesmo com o fracasso.
Os governantes fazem isto todos os dias. Todos os problemas, todos os objetivos não alcançados, recebem as mais variadas desculpas. A mais comum: a falta de verbas. Vemos que não e verdade. Os bancos suíços não nos deixam mentir.
A doença que hoje corroei a sociedade brasileira não surgiu de uma hora para outra. Ela vem se potencializando anos após anos.
Na década de trinta, quando havia uma discussão sobre a nova constituição brasileira, perguntou-se a Capistrano de Abreu, qual o artigo ele gostaria de ver inserido na nova carta. Sem titubear, disse: a constituição deveria ter apenas dois artigos. O primeiro: todo brasileiro é obrigado a ter vergonha na cara. O segundo: revogam-se todas as disposições em contrario.
As inevitáveis mudanças pelas quais passa a sociedade, não necessitam ter como ingredientes a falta de vergonha, o crime desmedido, a ausência de conceitos morais. A balburdia instalada nada mais é do que a aceitação do oportunismo, do jeitinho, da predominância das aparências, tudo em detrimento da capacidade.
Como será o futuro da sociedade cuja juventude se delicia em bailes funk, canta e dança équinha pocotó, e o sonho de consumo é um tênis de marca?
Aurílio Nascimento
Comentários