Não há um só dia no qual a imprensa em suas diversas formas, escrita, televisada, rádios, etc, não publique opinião ou conclusão de pesquisas sobre a violência no nosso país, especialmente no Rio de Janeiro.
Boa parte destas ditas “pesquisas” é realizada por um alienígena, o sociólogo Ignácio Cano, professor de uma universidade carioca, e espanhol de nascimento. O pesquisador é sempre apresentado ao público como um profundo conhecedor do assunto, e que há dez anos se dedica aos estudos da violência urbana.
Esta apresentação por si só legitima qualquer baboseira dita, especialmente quando se embasa com argumentos concretos e desvirtuados de maneira a se conseguir o efeito desejado: encurralar a polícia através da opinião pública.
No programa Fantástico, exibido pela Rede Globo de Televisão em 18/08, o senhor professor doutor pesquisador sociólogo, Ignácio Cano, deve ter percebido que não é tão fácil assim manipular a opinião pública.
Confrontado com os argumentos da experiência, do profissionalismo, emitidos pelo Dr. Wladimir Reale, presidente da ADEPOL, associação dos delegados de polícia do Rio de Janeiro, o pesquisador teve seus argumentos rejeitados por 74.4% da audiência. Se considerarmos que o programa é líder absoluto, e visto por milhões de pessoas, seria hora do professor doutor pesquisador sociólogo voltar suas pesquisas para outras áreas, onde tenha maiores chances de sucesso e demonstre talvez algum conhecimento.
Sugiro aqui, sua própria terra. A Espanha é hoje um dos países mais violentos da Europa, porta de entrada de mais da metade de toda cocaína consumida no continente. É também palco de crimes típicos de pistolagem em plena luz do dia no centro de Madri. As gangues colombianas praticamente tomaram de assalto a capital, e vejam: lá não há favelas.
O governo espanhol quase em desespero apelou para policiais da Colômbia, e estes já embarcaram para a Espanha na tentativa de ajudar seus colegas.
Oitenta por cento do tráfico de escravas brancas, principalmente com origem na América do sul, é controlado pelas máfias espanholas. A Espanha é hoje o principal mercado da prostituição na Europa.
O jornal El País, em edição desta semana, chama à atenção pela morte de um usuário de drogas em confronto com a Guarda Civil e os protestos advindos do episódio. Finaliza o editorial com a seguinte frase: “em cualquer caso, es imponer la paz em um lugar donde la policía parece que ni se atreve a entrar”
A violência na terra do alienígena aumenta 5% ao ano, conforme dados da própria polícia.
No ano de 2001, das dez maiores operações de combate ao narcotráfico internacional, seis foram desenvolvidas na Espanha e destas, quatro resultaram nas maiores apreensões.
O que observamos é que mesmo com estes índices a polícia espanhola não é massacrada por pesquisadores. A imprensa trata a questão com equilíbrio cobrando das autoridades, mas respeitando seus organismos de segurança.
Um dos itens mais frisados pelo alienígena professor doutor pesquisador sociólogo, é o da corrupção. Não cabe aqui grande discussão sobre o assunto. Porém, seria bom realçar que os níveis de desvio de nossa polícia se comparam aos da polícia de seu país. Corrupção não é consórcio de bens, uma invenção tipicamente nacional, mais sim uma invenção da humanidade, e nem por isto devemos ignorá-la. O grande problema é saber o motivo que leva a corrupção onde teoricamente não há ambiente favorável, onde as condições de trabalho e salário apontam justamente ao contrário. Seria uma questão de caráter?
O doutor professor pesquisador sociólogo talvez não saiba, mais entre as polícias da Europa, a da Espanha juntamente com as da Bélgica e pasmem, a da Suécia, tem os índices de menor aceitação no conjunto de países do velho continente.
Por tudo isso, digo que o alienígena aqui está apenas para tumultuar. Nada conhece de nossa sociedade. Gasta os preciosos recursos dos contribuintes copilando números e em seguida batizando-os de pesquisa.
Acredito que o senhor Ignácio Cano aqui está por não possuir na sua terra natal o mesmo espaço. Ajudaria bastante o compilador, digo, pesquisador se trabalhasse junto aos nossos parlamentares para o retorno ao terceiro grau na polícia civil; seria bem aceita a ajuda do enganador, digo, professor, visitar as delegacias, conhecer in loco as condições de trabalho da nossa polícia.
Nenhum outro país do mundo recebe de forma tão hospitaleira qualquer alienígena. Entretanto a conduta ensinada pelos mais velhos desde quando o homem deixou as cavernas, não podemos deixar de exigir de nossos hospedes: “olhe para o seu rabo primeiro, depois para os dos outros”.
Aurílio Nascimento
Rio, 19/08/02
Boa parte destas ditas “pesquisas” é realizada por um alienígena, o sociólogo Ignácio Cano, professor de uma universidade carioca, e espanhol de nascimento. O pesquisador é sempre apresentado ao público como um profundo conhecedor do assunto, e que há dez anos se dedica aos estudos da violência urbana.
Esta apresentação por si só legitima qualquer baboseira dita, especialmente quando se embasa com argumentos concretos e desvirtuados de maneira a se conseguir o efeito desejado: encurralar a polícia através da opinião pública.
No programa Fantástico, exibido pela Rede Globo de Televisão em 18/08, o senhor professor doutor pesquisador sociólogo, Ignácio Cano, deve ter percebido que não é tão fácil assim manipular a opinião pública.
Confrontado com os argumentos da experiência, do profissionalismo, emitidos pelo Dr. Wladimir Reale, presidente da ADEPOL, associação dos delegados de polícia do Rio de Janeiro, o pesquisador teve seus argumentos rejeitados por 74.4% da audiência. Se considerarmos que o programa é líder absoluto, e visto por milhões de pessoas, seria hora do professor doutor pesquisador sociólogo voltar suas pesquisas para outras áreas, onde tenha maiores chances de sucesso e demonstre talvez algum conhecimento.
Sugiro aqui, sua própria terra. A Espanha é hoje um dos países mais violentos da Europa, porta de entrada de mais da metade de toda cocaína consumida no continente. É também palco de crimes típicos de pistolagem em plena luz do dia no centro de Madri. As gangues colombianas praticamente tomaram de assalto a capital, e vejam: lá não há favelas.
O governo espanhol quase em desespero apelou para policiais da Colômbia, e estes já embarcaram para a Espanha na tentativa de ajudar seus colegas.
Oitenta por cento do tráfico de escravas brancas, principalmente com origem na América do sul, é controlado pelas máfias espanholas. A Espanha é hoje o principal mercado da prostituição na Europa.
O jornal El País, em edição desta semana, chama à atenção pela morte de um usuário de drogas em confronto com a Guarda Civil e os protestos advindos do episódio. Finaliza o editorial com a seguinte frase: “em cualquer caso, es imponer la paz em um lugar donde la policía parece que ni se atreve a entrar”
A violência na terra do alienígena aumenta 5% ao ano, conforme dados da própria polícia.
No ano de 2001, das dez maiores operações de combate ao narcotráfico internacional, seis foram desenvolvidas na Espanha e destas, quatro resultaram nas maiores apreensões.
O que observamos é que mesmo com estes índices a polícia espanhola não é massacrada por pesquisadores. A imprensa trata a questão com equilíbrio cobrando das autoridades, mas respeitando seus organismos de segurança.
Um dos itens mais frisados pelo alienígena professor doutor pesquisador sociólogo, é o da corrupção. Não cabe aqui grande discussão sobre o assunto. Porém, seria bom realçar que os níveis de desvio de nossa polícia se comparam aos da polícia de seu país. Corrupção não é consórcio de bens, uma invenção tipicamente nacional, mais sim uma invenção da humanidade, e nem por isto devemos ignorá-la. O grande problema é saber o motivo que leva a corrupção onde teoricamente não há ambiente favorável, onde as condições de trabalho e salário apontam justamente ao contrário. Seria uma questão de caráter?
O doutor professor pesquisador sociólogo talvez não saiba, mais entre as polícias da Europa, a da Espanha juntamente com as da Bélgica e pasmem, a da Suécia, tem os índices de menor aceitação no conjunto de países do velho continente.
Por tudo isso, digo que o alienígena aqui está apenas para tumultuar. Nada conhece de nossa sociedade. Gasta os preciosos recursos dos contribuintes copilando números e em seguida batizando-os de pesquisa.
Acredito que o senhor Ignácio Cano aqui está por não possuir na sua terra natal o mesmo espaço. Ajudaria bastante o compilador, digo, pesquisador se trabalhasse junto aos nossos parlamentares para o retorno ao terceiro grau na polícia civil; seria bem aceita a ajuda do enganador, digo, professor, visitar as delegacias, conhecer in loco as condições de trabalho da nossa polícia.
Nenhum outro país do mundo recebe de forma tão hospitaleira qualquer alienígena. Entretanto a conduta ensinada pelos mais velhos desde quando o homem deixou as cavernas, não podemos deixar de exigir de nossos hospedes: “olhe para o seu rabo primeiro, depois para os dos outros”.
Aurílio Nascimento
Rio, 19/08/02
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