Os céticos usam o termo hipótese ad hoc para definir as explicações de pessoas que se dizem detentoras de poderes sobrenaturais, e que em certo momento não conseguem realizar aquilo que propalaram. Assim, um sujeito que diz possuir poderes para realizar uma operação cirúrgica, e fazer um paraplégico andar, e instado a isso não consegue, afirma que forças negativas estão impedindo sua realização, que falta fé ao paciente, que ele não acredita na sua recuperação, portanto, mesmo tendo sido abençoado com grande poder, nada pode contra aquelas forças.
Assim, a hipótese ad hoc nada mais é do que a técnica principal usado por todos os manipuladores, desde os ditos sensitivos, até os que aparecem na mídia como personalidades de grande conhecimento e portanto com capacidade para solucionar problemas urgentes.
O uso correto da hipótese ad hoc, e suas variantes, torna o manipulador, aos olhos das pessoas comuns, uma sumidade, alguém com boas intenções, sofredor por não conseguir dar encaminhamento a felicidade geral.
Basicamente, a hipótese ad hoc comporta uma explicação ou uma exigência impossível de ser cumprida ou verificada dentro de parâmetros aceitos.
O exemplo histórico de hipótese ad hoc, não questionado a fundo pelos historiadores, é o do ex-presidente Jânio Quadros. Qual o motivo de sua renúncia? Forças ocultas, disse ele. Se fosse possível reunir todos os cientistas da face da terra, vivos e mortos, e mais de uma centena de santos arregimentados nos céus, ninguém teria sido capaz de definir com exatidão quais teriam sido as tais forças ocultas. Quando lançou essa desculpa, Jânio Quadros criou no povo a dúvida e passou para a história como bonzinho. Aquele que pretendia fazer muito pelo país, mas foi impedido por forças ocultas, as quais ninguém nunca saberá quais eram, só ele. Será que Jânio Quadros sabia mesmo quais eram as tais forças ocultas e levou esta informação para o túmulo? Tenho minhas dúvidas.
Quando se faz uma exigência ou uma afirmação impossível de ser verificada, mesmo que esta impossibilidade passe despercebida a princípio, também se esta fazendo uso da hipótese ad hoc.
O mecanismo permite que o manipulador permaneça intacto em suas opiniões e posições.
Vejam por exemplo à exigência do Professor doutor pesquisador sociólogo antropólogo e secretário nacional de segurança pública Luiz Eduardo Soares. Catapultado a esta condição pelo seu constante aparecimento na mídia, como profundo conhecedor do assunto segurança, impedido, segundo ele próprio, de criar o paraíso aqui no Rio de Janeiro, torna-se o principal técnico da área para o governo federal.
Na SENASP, recebe a chave de um cofre onde se acham guardados cerca de quatrocentos milhões de reais, e que se destinam ao amparo de projetos estaduais. A partir de sua posse, o ilustre senhor afirma que haverá uma mudança drástica na liberação do dinheiro. Antes, os governos estaduais apresentavam suas carências matérias e solicitavam por exemplo à compra de armamentos e viaturas. Agora a coisa mudou. A SENASP deixa de ser um balcão de atendimento e passa a exigir das unidades federadas uma contra-partida no combate ao crime.
Assim, para o Rio de Janeiro receber alguma verba, será necessário que apresente um projeto para acabar com a corrupção policial.
Aqui temos uma bela colocação de hipótese ad hoc. Vejamos: quem em sã consciência será contra o combate a corrupção? Ninguém, exceto os interessados em usufruir dela. O cidadão que sofre todos os dias com a violência, o comerciante que fecha seu estabelecimento a mando de marginais, e todos aqueles que se encontram acuados pelo crime no Rio de Janeiro, irão concordar em gênero, número e grau com a exigência do doutor Soares.
A elaboração desta proposta é tão bem articulada que impacta completamente as pessoas, impedido-as de raciocinar corretamente.
Desde que o mundo é mundo, que a corrupção faz parte dele. Isto não significa que tal desvio de caráter e conduta deva ser tolerado. Muito pelo contrário. Ocorre que, por ser inerente ao ser humano, não se pode de forma alguma acabar com a corrupção, mais sim, ter os mecanismos corretos de vigilância a fim de se evitar ao máximo sua existência. E estes mecanismos existem e são aplicados.
Ora, se Jesus teve entre seus doze amigos, um que se torno corrupto, o qual por trinta dinheiros entregou o Mestre, quem de nós será capaz de afirmar que não teremos em algum lugar alguém capaz de se vender? Acredito que com toda a evolução da humanidade, não há no planeta pessoa que se possa considerar superior ao filho de Deus.
Com sua colocação, o doutor Soares fica ao largo de qualquer tentativa de se mostrar sua incapacidade de realização naquilo que se propõe, resolver pelo menos em parte a grave questão da segurança pública, já que o governo do Rio de Janeiro, no caso específico, não fez nada para atender sua correta exigência.
Quando instado a opinar mais uma vez, sobre os costumeiros episódios, nos quais bandidos queimam senhoras dentro de ônibus em plena luz do dia, o comércio fechado, os assassinatos, os roubos e as rebeliões nos presídios, o ilustre senhor dirá que nada pode fazer, pois o governo não atendeu sua exigência de combate à corrupção, e este é o principal motivo de tanta violência. O dinheiro liberado sem a contra partida não tem aplicação correta, a administração estadual é conivente com os desvios de conduta de seus policiais.
Sem fazer nada e afirmando que pode fazer tudo, o senhor Soares permanece no pedestal da sabedoria, desvia a raiva dos contribuintes e vai levando a vida.
Mais o que aconteceria se o eleitor fizesse o mesmo? Lançasse uma hipótese ad hoc? Cansado de tantos descasos e escândalos, o cidadão dirá que a cabine de votação não mais será um balcão de negócios, no qual o político apresenta um projeto, pede seu voto e some. Agora a coisa mudou. Enquanto eles não acabarem com a corrupção na política, ninguém receberá um único voto. O país vai parar. Dane-se. Nada podemos fazer. Eles, os interessados em receberem nossa preciosa indicação é que são os responsáveis por essa calamidade. Não apresentaram um projeto para acabar com a roubalheira no futuro? Então nada de voto. Pode aparecer quem quer que for se candidatando a presidente, senador ou deputado. Cadê o projeto de corrupção zero? Não tem. Afirma que em seu governo não haverá roubos? Que segurança tenho como eleitor de que está dizendo a verdade? Lamento, mais nada de votos.
O cidadão que agir desta maneira será considerado um exemplo, mais se todos fizerem a mesma coisa, o país não anda, já que não terá quem o administre. Isto é uma forma de manipulação, a chamada hipótese ad hoc. Que tal cada um de nós lançarmos a nossa, não mais votando em ninguém, até o cumprimento de uma contra partida? Nossa hipótese ad hoc para as próximas eleições será: “todo político, bem como os que exercem cargo públicos são obrigado a ter vergonha na cara, caso contrário nada de votos.”
Aurílio Nascimento
Assim, a hipótese ad hoc nada mais é do que a técnica principal usado por todos os manipuladores, desde os ditos sensitivos, até os que aparecem na mídia como personalidades de grande conhecimento e portanto com capacidade para solucionar problemas urgentes.
O uso correto da hipótese ad hoc, e suas variantes, torna o manipulador, aos olhos das pessoas comuns, uma sumidade, alguém com boas intenções, sofredor por não conseguir dar encaminhamento a felicidade geral.
Basicamente, a hipótese ad hoc comporta uma explicação ou uma exigência impossível de ser cumprida ou verificada dentro de parâmetros aceitos.
O exemplo histórico de hipótese ad hoc, não questionado a fundo pelos historiadores, é o do ex-presidente Jânio Quadros. Qual o motivo de sua renúncia? Forças ocultas, disse ele. Se fosse possível reunir todos os cientistas da face da terra, vivos e mortos, e mais de uma centena de santos arregimentados nos céus, ninguém teria sido capaz de definir com exatidão quais teriam sido as tais forças ocultas. Quando lançou essa desculpa, Jânio Quadros criou no povo a dúvida e passou para a história como bonzinho. Aquele que pretendia fazer muito pelo país, mas foi impedido por forças ocultas, as quais ninguém nunca saberá quais eram, só ele. Será que Jânio Quadros sabia mesmo quais eram as tais forças ocultas e levou esta informação para o túmulo? Tenho minhas dúvidas.
Quando se faz uma exigência ou uma afirmação impossível de ser verificada, mesmo que esta impossibilidade passe despercebida a princípio, também se esta fazendo uso da hipótese ad hoc.
O mecanismo permite que o manipulador permaneça intacto em suas opiniões e posições.
Vejam por exemplo à exigência do Professor doutor pesquisador sociólogo antropólogo e secretário nacional de segurança pública Luiz Eduardo Soares. Catapultado a esta condição pelo seu constante aparecimento na mídia, como profundo conhecedor do assunto segurança, impedido, segundo ele próprio, de criar o paraíso aqui no Rio de Janeiro, torna-se o principal técnico da área para o governo federal.
Na SENASP, recebe a chave de um cofre onde se acham guardados cerca de quatrocentos milhões de reais, e que se destinam ao amparo de projetos estaduais. A partir de sua posse, o ilustre senhor afirma que haverá uma mudança drástica na liberação do dinheiro. Antes, os governos estaduais apresentavam suas carências matérias e solicitavam por exemplo à compra de armamentos e viaturas. Agora a coisa mudou. A SENASP deixa de ser um balcão de atendimento e passa a exigir das unidades federadas uma contra-partida no combate ao crime.
Assim, para o Rio de Janeiro receber alguma verba, será necessário que apresente um projeto para acabar com a corrupção policial.
Aqui temos uma bela colocação de hipótese ad hoc. Vejamos: quem em sã consciência será contra o combate a corrupção? Ninguém, exceto os interessados em usufruir dela. O cidadão que sofre todos os dias com a violência, o comerciante que fecha seu estabelecimento a mando de marginais, e todos aqueles que se encontram acuados pelo crime no Rio de Janeiro, irão concordar em gênero, número e grau com a exigência do doutor Soares.
A elaboração desta proposta é tão bem articulada que impacta completamente as pessoas, impedido-as de raciocinar corretamente.
Desde que o mundo é mundo, que a corrupção faz parte dele. Isto não significa que tal desvio de caráter e conduta deva ser tolerado. Muito pelo contrário. Ocorre que, por ser inerente ao ser humano, não se pode de forma alguma acabar com a corrupção, mais sim, ter os mecanismos corretos de vigilância a fim de se evitar ao máximo sua existência. E estes mecanismos existem e são aplicados.
Ora, se Jesus teve entre seus doze amigos, um que se torno corrupto, o qual por trinta dinheiros entregou o Mestre, quem de nós será capaz de afirmar que não teremos em algum lugar alguém capaz de se vender? Acredito que com toda a evolução da humanidade, não há no planeta pessoa que se possa considerar superior ao filho de Deus.
Com sua colocação, o doutor Soares fica ao largo de qualquer tentativa de se mostrar sua incapacidade de realização naquilo que se propõe, resolver pelo menos em parte a grave questão da segurança pública, já que o governo do Rio de Janeiro, no caso específico, não fez nada para atender sua correta exigência.
Quando instado a opinar mais uma vez, sobre os costumeiros episódios, nos quais bandidos queimam senhoras dentro de ônibus em plena luz do dia, o comércio fechado, os assassinatos, os roubos e as rebeliões nos presídios, o ilustre senhor dirá que nada pode fazer, pois o governo não atendeu sua exigência de combate à corrupção, e este é o principal motivo de tanta violência. O dinheiro liberado sem a contra partida não tem aplicação correta, a administração estadual é conivente com os desvios de conduta de seus policiais.
Sem fazer nada e afirmando que pode fazer tudo, o senhor Soares permanece no pedestal da sabedoria, desvia a raiva dos contribuintes e vai levando a vida.
Mais o que aconteceria se o eleitor fizesse o mesmo? Lançasse uma hipótese ad hoc? Cansado de tantos descasos e escândalos, o cidadão dirá que a cabine de votação não mais será um balcão de negócios, no qual o político apresenta um projeto, pede seu voto e some. Agora a coisa mudou. Enquanto eles não acabarem com a corrupção na política, ninguém receberá um único voto. O país vai parar. Dane-se. Nada podemos fazer. Eles, os interessados em receberem nossa preciosa indicação é que são os responsáveis por essa calamidade. Não apresentaram um projeto para acabar com a roubalheira no futuro? Então nada de voto. Pode aparecer quem quer que for se candidatando a presidente, senador ou deputado. Cadê o projeto de corrupção zero? Não tem. Afirma que em seu governo não haverá roubos? Que segurança tenho como eleitor de que está dizendo a verdade? Lamento, mais nada de votos.
O cidadão que agir desta maneira será considerado um exemplo, mais se todos fizerem a mesma coisa, o país não anda, já que não terá quem o administre. Isto é uma forma de manipulação, a chamada hipótese ad hoc. Que tal cada um de nós lançarmos a nossa, não mais votando em ninguém, até o cumprimento de uma contra partida? Nossa hipótese ad hoc para as próximas eleições será: “todo político, bem como os que exercem cargo públicos são obrigado a ter vergonha na cara, caso contrário nada de votos.”
Aurílio Nascimento
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