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A censura ao documentario

Quando o senhor MV (mensageiro da verdade) Bil terminou de gravar o seu documentário, Falcão, os meninos do tráfico, afirmou que “por razões de foro íntimo não iria apresentar”. Registrei minha desconfiança neste comportamento através de carta publicada no jornal o Dia. Agora, ao publicar seu livro, dizendo que presenciou vários seqüestros e nada fez para comunicar as autoridades, é severamente criticado pelas autoridades. Desconfiava que algo estava errado, mas não tanto.



Toda e qualquer informação sobre crime e criminosos será sempre uma contribuição para a sociedade, que sabendo como agem pode planejar sua defesa, minimizar ou mesmo evitar o derramamento de sangue. Seria assim com o documentário Falcão, os meninos do tráfico, produzido pela rapper MV Bill, e cuja exibição foi vetada pelo autor. Face ao impacto do assunto, a sociedade ficaria sabendo como os traficantes cooptam os filhos de desempregados, os órfãos e todas as incipientes almas sem esperança que vivem a efêmera vida do crime. A proibição por “razões de foro íntimo”, como declarado, servirá para a sociedade fazer uma análise mais profunda dos líderes que vez por outra aparecem na mídia com o rosto transtornado por uma revolta e um discurso veemente que aponta injustiças seculares. Quando não leva a público a verdade, o senhor MV Bill autoriza a nossa desconfiança de que a morte da maioria dos que contribuíram para o documentário pode render financeiramente mais do que ele e seus sócios pensavam. E o verdadeiro objetivo seria outro: uma recheada conta bancária.
Aurílio Nascimento, Por e-mail
O Dia – 9/8/03 - sábado

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