Os meninos do tráfico
Haverá muito falatório sobre o documentário Falcão os meninos do tráfico. Entretanto, nada do que será dito, por pesquisadores e estudiosos vai no mínimo aproximar-se dos verdadeiros ingredientes que compõem a vergonhosa tragédia, sabida e agora assistida por todos.
Existem no Rio de Janeiro pelo menos uma dezena de ONGs para cada criança que vive nas ruas. Isto mesmo, uma dezena. Não se tem notícia de que um único menino foi salvo por alguma destas organizações. Vivem empanturradas de verbas públicas, usadas em parte para propagar vez por outra questionáveis trabalhos chamados de pesquisas, os quais na verdade não passam de simples soma e divisão percentual, além de com sorte, esporádicos aparecimentos na mídia, a fim de marcar presença.
Em todas as opiniões levadas ao público, e mesmo no próprio documentário, não uma única palavra sobre os chefões, os chamados donos do morro ou favela. Entende-se que aqueles que se propuseram a fazer o documentário nada tenham perguntado aos condenados a morte que entrevistavam, o que achavam de seus “patrões”, como eles viviam, entre outras, já que estavam ali justamente por uma concessão deles. Porém, de parte daqueles que se aventuram a opinar com sabedoria quase divina sobre os fatos, a omissão é condenável.
Já se tentou cercar juridicamente os que exploram as tenras criaturas. Uma destas propostas foi a de que o pagamento de honorários advocatícios pagos por quem seja acusado de tráfico de drogas tenha origem lícita, evitando-se que o chamado “dono do morro” ao ser preso, pague seus advogados com o dinheiro ganho por aquelas crianças. E o que foi que a honrosa OAB fez? Esperneou de todas as formas. Argumentou que isto era um absurdo, pois amanhã estaria se exigindo que um cidadão provasse a origem do seu dinheiro ao comprar um remédio. Não se pode chamar tal argumento de uma bela falácia, mais sim, pobre falácia. Caso não fosse possível pagar despesas judiciais sem que antes se provasse a origem dos recursos, os traficantes estariam em dificuldades. A OAB diz que tal atitude seria cerceamento de defesa. Acho que não. Quando muito seria cerceamento de ganhos.
No ano passado, o governo do nosso guia, pagou as empresas do publicitário Duda Mendonça, mais de um milhão de reais por dia. Durante este período, os meninos apresentados no documentário morriam por alguns reais. Como tudo corria as mil maravilhas, cinqüenta e seis milhões foram torrados na compra de um jato de luxo. E as mortes continuam. Vinte e cinco mil reais apenas para a reforma do galinheiro presidencial. O equivalente a seis anos de trabalho de um peão. Ao final de tudo, juntando-se o subjetivo do documentário, as opiniões, notícias e comentários, chega-se a uma conclusão: a culpa de tudo é da polícia.
Haverá muito falatório sobre o documentário Falcão os meninos do tráfico. Entretanto, nada do que será dito, por pesquisadores e estudiosos vai no mínimo aproximar-se dos verdadeiros ingredientes que compõem a vergonhosa tragédia, sabida e agora assistida por todos.
Existem no Rio de Janeiro pelo menos uma dezena de ONGs para cada criança que vive nas ruas. Isto mesmo, uma dezena. Não se tem notícia de que um único menino foi salvo por alguma destas organizações. Vivem empanturradas de verbas públicas, usadas em parte para propagar vez por outra questionáveis trabalhos chamados de pesquisas, os quais na verdade não passam de simples soma e divisão percentual, além de com sorte, esporádicos aparecimentos na mídia, a fim de marcar presença.
Em todas as opiniões levadas ao público, e mesmo no próprio documentário, não uma única palavra sobre os chefões, os chamados donos do morro ou favela. Entende-se que aqueles que se propuseram a fazer o documentário nada tenham perguntado aos condenados a morte que entrevistavam, o que achavam de seus “patrões”, como eles viviam, entre outras, já que estavam ali justamente por uma concessão deles. Porém, de parte daqueles que se aventuram a opinar com sabedoria quase divina sobre os fatos, a omissão é condenável.
Já se tentou cercar juridicamente os que exploram as tenras criaturas. Uma destas propostas foi a de que o pagamento de honorários advocatícios pagos por quem seja acusado de tráfico de drogas tenha origem lícita, evitando-se que o chamado “dono do morro” ao ser preso, pague seus advogados com o dinheiro ganho por aquelas crianças. E o que foi que a honrosa OAB fez? Esperneou de todas as formas. Argumentou que isto era um absurdo, pois amanhã estaria se exigindo que um cidadão provasse a origem do seu dinheiro ao comprar um remédio. Não se pode chamar tal argumento de uma bela falácia, mais sim, pobre falácia. Caso não fosse possível pagar despesas judiciais sem que antes se provasse a origem dos recursos, os traficantes estariam em dificuldades. A OAB diz que tal atitude seria cerceamento de defesa. Acho que não. Quando muito seria cerceamento de ganhos.
No ano passado, o governo do nosso guia, pagou as empresas do publicitário Duda Mendonça, mais de um milhão de reais por dia. Durante este período, os meninos apresentados no documentário morriam por alguns reais. Como tudo corria as mil maravilhas, cinqüenta e seis milhões foram torrados na compra de um jato de luxo. E as mortes continuam. Vinte e cinco mil reais apenas para a reforma do galinheiro presidencial. O equivalente a seis anos de trabalho de um peão. Ao final de tudo, juntando-se o subjetivo do documentário, as opiniões, notícias e comentários, chega-se a uma conclusão: a culpa de tudo é da polícia.
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