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Os homens maus venceram, pelo menos por enquanto.

Todos sabiam que a existência corrupção nos altos escalões do governo, era histórica, enraizada. Partidos políticos, integrantes do governo, empresários e funcionários em altos cargos, formavam as várias quadrilhas que se locupletavam do dinheiro dos pagadores de impostos, dos trabalhadores de sol a sol. Licitações fraudulentas, compras superfaturadas, desvios de verbas obras que não eram realizadas, porém pagas, propinas em valores inimagináveis, doações para partidos políticos através do desvio de recursos de estatais. Por anos e anos os esquemas de corrupção perduraram. Em certo momento o Ministério Público resolveu agir, o que aliás era seu dever. Uma investigação foi iniciada, com uma grande operação. Um dos primeiros a ser preso foi o presidente de um partido socialista. Logo, outros começaram a cair. As delações não demoraram a surgir. Tal e qual o dito popular, “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Com o único intuito de salvar a pele, e tentar ficar com um pouco do butim, delatar era a única saída. Outros preferiram fugir.

A grande operação contra a corrupção, como nunca vista antes, abalou as estruturas da república. Pasmos, incrédulos, os bandidos de colarinho branco não conseguiam entender o que estava acontecendo. Contando com apoio popular e da mídia, a limpeza foi em frente. Diariamente prisões eram efetuadas.

A pressão popular era imensa para que os corruptos fossem identificados, presos e banidos da vida pública. Em certo momento teve início a reação. Parte da mídia juntou-se para criticar os métodos da operação. Eram abusivos, diziam. O devido processo legal estava sendo ignorado, e o mais grave, grandes empresas estava indo à falência, como se fosses normal uma grande empresa viver de esquemas de corrupção. Grandes conglomerados da imprensa, os quais viveram a reboque da sujeira que existia, perceberam que estavam também perdendo dinheiro. Os ataques a operação e seus investigadores, principalmente ao principal procurador da investigação, avolumaram-se, e aos poucos foram aniquilando os resultados da operação.

Com a operação sendo esvaziada, os corruptos aos poucos foram retornando a vida pública como se nada tivesse ocorrido. Os procuradores sofriam ameaças de morte, perseguições, processos, suas vidas particulares eram esmiuçadas nos mínimos detalhes. O principal procurador resolveu entrar para a política, e mesmo eleito não obteve muito sucesso. Foi vencido pela perseguição.

Os fatos acima narrados ocorreram com a chamada Operação Mãos Limpas, na Itália entre os anos de 1992 e 1996. Os envolvidos pertenciam a política e a Máfia. Embora tenham ocorridos mudanças legais, estas não foram suficientes para dizimar a corrupção no país europeu. O resultado mais evidente da Operação Mãos Limpas, foi que os corruptos ao voltarem ao poder, elaboraram esquemas de proteção mais sofisticados, criaram leis para impedir investigações, e tudo continuar como antes.

Qualquer semelhança com outra operação contra corrupção em algum outro país, será mera coincidência. Os homens maus venceram. Até quando? Não sei.

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