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Terroristas, golpistas.

Mais de mil pessoas estão reunidas, sem armas, pacificamente. O motivo que levou toda essa multidão até ali, é a discordância da forma como o governo chegou ao poder. Querem mudanças, explicações. De repente centenas de policiais cercam a multidão, colocam todos em ônibus, e os leva para a prisão. Todos são fichados, fotografados e encarcerados. O relato parece recente, atual? Sim, mas não estou referindo-me ao dia 08 de janeiro de 2023, quando centenas de manifestantes contrários ao novo governo foram presos em Brasília. O episódio acima relatado ocorreu em 12 de outubro de 1968, há cinquenta e quatro anos. Naquele dia, centenas de estudantes se reuniram na Fazenda Murundu, na cidade de Ibiúna interior de São Paulo. Convocados pela UNE, União Nacional dos Estudantes, aliada aos grupos de esquerda, pretendiam, eleger uma nova diretoria, discutir planos para derrubar o governo, organizar a luta armada, e implantarem uma ditadura do proletariado nos moldes cubano, quando foram surpreendidos pela polícia. Registrado pela história como “A invasão ao congresso da UNE”, o episódio até hoje é relembrado, motivo de memoriais, e longos debates acadêmicos. Um dos líderes da reunião era José Dirceu. No ano seguinte Dirceu e mais doze presos foram deportados para o México em troca da libertação do embaixador americano Charles Burke Elbrick, sequestrado por integrantes de vários grupos guerrilheiros, entres estes, MOLIPO, Movimento de Libertação Popular, MR-8, e ALN, Aliança Libertadora Nacional. O sequestro do embaixador foi planejado por Franklin Martins, o qual se tornaria ministro do governo do PT em 2007. Martins até hoje é proibido de entrar nos EUA, bem como os demais sequestradores. José Dirceu foi para Cuba, e lá foi treinado pela Inteligência cubana, retornando ao Brasil disfarçado e após cirurgias plásticas, para promover atos de terrorismo. Sua história é conhecida de todos. No chamado Congresso da UNE em Ibiúna, a ideia era iniciar uma guerra civil, promovendo atos de sabotagem, assassinatos de generais. Eram jovens estudantes cooptados pelos movimentos comunistas, patrocinado por Cuba. A história se repetiu em 8 de janeiro de 2023, porém com diferenças. A multidão levada a prisão em Brasília era composta por mulheres, idosos, crianças, aposentados. Classificados pela imprensa como perigosos terroristas golpistas, o grupo apenas exigia explicações sobre os procedimentos da eleição, não quer derrubar o governo eleito através de ato de terrorismo, não é financiado por um país estrangeiro, não possuem armas. São patriotas os quais voluntariamente resolveram questionar, fazer uso do direito constitucional de se reunirem. A justiça negou a eles todo e qualquer direito fundamental, e ao reclamarem das péssimas condições em um ginásio, o todo-poderoso ministro Xandão declarou para a imprensa: querem uma colônia de férias? Como disse Thomas Hobbes em sua famosa obra “O Leviatã”, em 1651 “homo homini lupus”, o homem é o lobo do homem.

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