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Água de salsicha

Quando abrimos uma lata de salsicha sabemos que aquela água não serve para nada. Joga-se fora. Todos os dias, fico impressionado com as notícias vindas de todos os lados do nosso país, dando conta de agressões sofridas por mulheres, e não raro, homicídios, covardes, cruéis, sem chance de defesa, sofridas por mulheres indefesas que se recusam a manter um relacionamento conturbado. Ciúmes doentios, pancadas, ameaças, cerceamento, humilhações. Estes são os ingredientes da rotina de milhares e milhares de mulheres por este Brasil afora, e no mundo também. Ao tentarem a fuga, encontram a morte. Corrobora meu pensamento a promulgação de um novo tipo penal, o feminicídio
. Os autores sem exceção deste comportamento agressivo em relação à mulher podem ser classificados como “água de salsicha”, não serve para absolutamente nada, nem mesmo para procriar. Sinto-me bem à vontade por experiência, a deixar aqui algumas dicas, e não conselhos, para as mulheres identificarem o “água de salsicha”. O “água de salsicha” é antes de tudo inseguro. Como homem não se garante. Ao conhecer um pretendente, procure verificar a segurança dele em relação a sua masculinidade. O “água de salsicha” não possui um ponto de equilíbrio. Ou ele é um “deitão”, como se diz na gíria carioca, ou seja, quer ser sustentado pela mulher ou pensa que por ter algum dinheiro e bancar tudo para ela, comprou um objeto exclusivo. O “ água de salsicha” é violento, e antes de tudo covarde. Ele espera uma oportunidade em que se sente a vontade para agredir, reclamar da roupa, das amigas, quer a senha das redes sociais. Mais por que o “água de salsicha” possui verdadeiro pavor de perder a mulher? Só encontro uma explicação para estes agressores covardes: sozinho ele tem medo de que aprovavelmente aflore uma provável homossexualidade represada no seu inconsciente. É por isso que ela mata. Ele não está matando aquela mulher que dizia amar, ele está matando a possibilidade de assumir sua homossexualidade. Talvez os grupos que lutam contra a homofobia possam ajudar, realizando campanhas de esclarecimentos a esta parcela de valentões, mostrando que não há nada errado em assumir suas preferências, e que os preconceituosos são minoria. Apesar da Lei Maria da Penha, e de todo cabedal jurídico para sua proteção, os crimes continuam, e as medidas são reativas e não proativas. Ou seja, são tomadas após o cometimento do delito. Para diminuir este tipo de insanidade, o melhor é tomar as medidas cautelares e tentar identificar o “água de salsicha”. E estes, entre outros são os sinais: Controlador; inseguro; ciumento ao extremo; se acha; quer saber detalhes sobre o seu ex; quer suas senhas de redes sociais; vigia o tempo todo; verifica seu telefone; escolhe quais roupas a mulher deve usar; tem pavor de roupas decotadas (insegurança ao extremo); martela todos os dias a possibilidade de que um dia vai ser traído; não aceita críticas.

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