Eu não vi os fantasmas. Eu vi os filhos dos fantasmas sentados ao redor da mesa de carvalho, com os pés no chão quente.
Eu não vi o alfabeto. Eu vi as letras gregas que anunciavam o apocalipse.
Eu não vi as flores. Eu vi a poeira do deserto em um encontro com as nuvens.
Eu vi as mulheres parindo bestas.
Eu vi os rios secando.
Eu não assisti a missa. De longe eu vi a dança em volta da fogueira.
Eu não vi o meu reflexo no espelho. Eu vi bolas de fogo dele saindo.
Eu não vi crianças. Eu vi seres estranhos, que se arrastavam.
Eu não vi a lua e nem o sol. Eu vi asteroides sem vida.
Eu cheguei perto do abismo, mas não pulei, olhei o outro lado, e ouvi o eco de gritos desesperados.
Eu passei onde o riacho secou, onde o rio começava, onde um carvalho existiu.
Eu olhei para trás, e vi vultos se escondendo.
Eu senti frio onde o calor era ardente.
Eu agarrei a pedra, mas não atirei.
Eu vi raios saindo de olhares, e me desviei.
Eu pisei nas cinzas, e ainda estavam quentes, com odor ácido.
Eu arranquei os calos da alma do andarilho.
Eu pensei nas curvas da mulher.
Na encruzilhada fiquei na dúvida, olhei para frente e segui.
E continuei caminhando, caminhando, caminhado.
Encontrei mágicos que iludiam com falsos sorrisos.
A noite não acabou. Procurei estrelas e não encontrei.
Tentei subir a montanha, as pedras molhadas me impediram.
A voz da criança era só minha imaginação.
Os esqueletos humanos pareciam rir, fui em frente.
O vento frio carregava com seu uivo notas que para nada servem.
Não havia mais horizonte, e a rosa dos ventos se desfez.
Da caixa de chumbo, os vermes libertavam-se, e ganhavam asas.
Perguntei a mim mesmo: onde estará o sol? A voz metálica gargalhou com estridente eco, e era invisível.
Olhei para o leste, e vi cavernas escuras, e tive certeza: ali moram os zumbis.
Procurei e encontrei um esconderijo, mais minha alma ficou lá fora.
Chorei pelos sonhadores, clamei por vingança, mais o oeste é muito longe.
Não sabia se era dia ou noite, a estrela Dalva se foi.
Improvisei uma lança, e uma funda. Inútil, pois as pedras são de areia.
Fechei os olhos, e tentei sonhar. O monstro apareceu. Era preto reluzente, tinha chifres em forma de espada, e a carapaça de um estranho besouro. Tremi.
As dez pragas do Egito. Ramsés II governou o Egito entre 1213 e 1279 AC. Os faraós tinham certeza que eram deuses, e podiam dominar tudo, fazer o que bem desse em suas cabeças. Não haveria outro poder, eles eram o poder supremo na terra, e do universo. Com este pensamento, Ramsés II dominou e escravizou os hebreus. Mas, Deus não ficou satisfeito e nem aceitou a arrogância do faraó. Para forçar a libertação da escravidão dos hebreus do Egito, Deus enviou mensagens, avisando Ramsés que não era bem assim, ele deveria libertar os hebreus. Ramsés II nem ligou, e dobrou a aposta. Deus então mostrou o seu poder, enviado dez pragas ao Egito, para enquadrar Ramsés. Na primeira transformou as águas do rio Nilo em sangue. Depois enviou pragas de rãs, moscas e piolhos para atazanar a vida de todos. Em seguida uma doença que matou todo o gado, nuvens de gafanhotos, uma chuva de pedras, a escuridão, e ao fim a morte de todos os primogênitos. Ramsés certamente coçou sua careca, con...
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