Bob. Era assim que se apresentava o Roberto. Ora, se Robert era Bob na América, por que ele não poderia também ser Bob aqui? Afinal, temos delivery, hot-dog, que combina com Bob, e a os adolescentes e outros idiotas, não perdem a oportunidade de exclamar: oh, Yes. Portanto, ele era Bob.
Depois de ingerir por semanas uma montanha de “bombas”, Bob se olhou no espelho, e se sentiu seguro para levar a frente seu plano. Comer uma mulher fruta, ou pelo menos alguma que tinha tudo de fruta, mas ainda não fora batizada. Ou seja, fazia sucesso dançando funk, mas só nas pistas. Não era ainda conhecida.
Marcou com a galera pelo MSN o grande dia. Pegou o metrô e foi até o camelódromo. Lá escolheu meticulosamente as roupas de marca falsificadas que iria comprar. Não esqueceu do grosso cordão dourado. Na volta, passou na farmácia e levou um pote de gel para o cabelo.
Tudo pronto, Bob foi à luta.
Nem bem entrou na boite, viu aquela maravilha. Mais parecia uma equilibrista, tamanha a desenvoltura com que caminhava sobre aqueles imensos saltos. O vestido branco curtinho, a pele dourada, e os peitos quase saltando para fora. Em poucos minutos já estavam se beijando.
- O que faz? Perguntou Bob.
- Sou modelo, se apresentou a beldade.
Ao dizer seu nome fez biquinho. Jucy, muito prazer.
Não foi tão difícil como Bob imaginava. As cinco da manhã entrava em seu apartamento na Barra da Tijuca, abraçado com sua fruta, ainda não batizada.
No volta para casa, mentalmente escolheu o nome que daria a ela. Mulher uva? Não. Uva é pequena. Mulher manga? Também não. Manga tem caroço. Já existia a mulher jaca, a mulher maça, a melancia. Pensou em mamão. Mais mamão libera o intestino. De mais a mais já existe a mulher melão. Ela talvez não gostasse.
Enquanto tentava esticar a conversa, querendo saber à opinião dela sobre o BBB12, se houve ou não o estupro, Bob, lutava para arranjar uma fruta que fosse condizente com sua conquista. Pensou em caju, e logo descartou. Caju tem castanha. Vai que alguém resolvesse fazer alguma comparação com castanha e clitóris. Não daria certo. Fruta de conde? Não. O nome é muito grande e não soa bem. Vem ai a mulher fruta de conde. Definitivamente não.
-Porra, por que não fiz uma pesquisa sobre fruta no Google antes? Bob se amaldiçoou. Pensei em tudo, menos nisto.- Lamentou.
Quanto mais se aproximava de sua casa, Bob ia ficando nervoso. Não podia deixar a bola cair. Reordenou o pensamento, e resolveu iniciar pelo alfabeto. Abacaxi, não. Tem espinhos. Abacate? Não, também tem caroço, e não se come de qualquer jeito, só com açúcar. Banana, nem pensar, onde já se viu?
De repente o estalo: Carambola? Carambola, seria uma boa. Analisou e decidiu. Ufá, acabou de entrar na garagem. Foi por pouco.
- é aqui que moro, minha carambola.
A beldade abriu um sorriso e logo uma reboladinha.
- Caramboooola?
- Você vai fazer o maior sucesso com este nome. Já pensou nas manchetes: Mulher carambola, a nova funkeira do pedaço. Disse Bob com todo seu charme.
Ela se derreteu toda.
Já na cama, babando como um São Bernardo, Bob passou a mão nos peitos da carambola, que na verdade se chamava Jucycléia. Meio sem jeito, ela falou:
-não aperta. Tem pouco tempo que coloquei o silicone. E esse papo que tá tudo estourando me deixa nervosa.
Bob compreensivo, partiu em direção aqueles lábios carnudos. Como uma borboleta que delicadamente levanta vôo de uma flor, Jucycléia, ou melhor, a carambola, o afastou.
- que foi? Indaga Bob já meio sem paciência.
Carambola com um meio sorriso, disse que o botox ainda doía. Assim, beijar com fervor só daqui alguns dias.
Sem perder as esperanças, Bob foi passando a língua na barriga de Jucycléia, e descendo, descendo. Depois que passou do umbigo, ela deu um pulo. Para! Para! Bob respirou fundo.
- o que foi dessa vez?
Minha tatuagem na virilha. Não deu muito certo, inflamou. Ainda dói muito.
Como um guerreiro que não desiste nunca, Bob colocou a carambola de bruços. Sem muito interesse, e calma como uma freira, Jucycléia falou:
- só olha, não aperta.
- cacete! Por quê?
- Amor, é o silicone. Ainda não tá fixado legal. O médico disse para não fazer esforço, pois pode deslocar. Explicou Jucy.
Bob caiu para o lado e adormeceu. No dia seguinte, o MSN fervia de mensagens. E ae? Como foi?
Triste e desolado, Bob escreveu:
As frutas de hoje estão cheias de agrotóxicos. Não dá para comer. Carambola então só dá pra olhar.
Ninguém entendeu nada, e a paciência de Bob se esgotou na noite anterior.
Desligou e foi para a praia.
Aurílio Nascimento
Depois de ingerir por semanas uma montanha de “bombas”, Bob se olhou no espelho, e se sentiu seguro para levar a frente seu plano. Comer uma mulher fruta, ou pelo menos alguma que tinha tudo de fruta, mas ainda não fora batizada. Ou seja, fazia sucesso dançando funk, mas só nas pistas. Não era ainda conhecida.
Marcou com a galera pelo MSN o grande dia. Pegou o metrô e foi até o camelódromo. Lá escolheu meticulosamente as roupas de marca falsificadas que iria comprar. Não esqueceu do grosso cordão dourado. Na volta, passou na farmácia e levou um pote de gel para o cabelo.
Tudo pronto, Bob foi à luta.
Nem bem entrou na boite, viu aquela maravilha. Mais parecia uma equilibrista, tamanha a desenvoltura com que caminhava sobre aqueles imensos saltos. O vestido branco curtinho, a pele dourada, e os peitos quase saltando para fora. Em poucos minutos já estavam se beijando.
- O que faz? Perguntou Bob.
- Sou modelo, se apresentou a beldade.
Ao dizer seu nome fez biquinho. Jucy, muito prazer.
Não foi tão difícil como Bob imaginava. As cinco da manhã entrava em seu apartamento na Barra da Tijuca, abraçado com sua fruta, ainda não batizada.
No volta para casa, mentalmente escolheu o nome que daria a ela. Mulher uva? Não. Uva é pequena. Mulher manga? Também não. Manga tem caroço. Já existia a mulher jaca, a mulher maça, a melancia. Pensou em mamão. Mais mamão libera o intestino. De mais a mais já existe a mulher melão. Ela talvez não gostasse.
Enquanto tentava esticar a conversa, querendo saber à opinião dela sobre o BBB12, se houve ou não o estupro, Bob, lutava para arranjar uma fruta que fosse condizente com sua conquista. Pensou em caju, e logo descartou. Caju tem castanha. Vai que alguém resolvesse fazer alguma comparação com castanha e clitóris. Não daria certo. Fruta de conde? Não. O nome é muito grande e não soa bem. Vem ai a mulher fruta de conde. Definitivamente não.
-Porra, por que não fiz uma pesquisa sobre fruta no Google antes? Bob se amaldiçoou. Pensei em tudo, menos nisto.- Lamentou.
Quanto mais se aproximava de sua casa, Bob ia ficando nervoso. Não podia deixar a bola cair. Reordenou o pensamento, e resolveu iniciar pelo alfabeto. Abacaxi, não. Tem espinhos. Abacate? Não, também tem caroço, e não se come de qualquer jeito, só com açúcar. Banana, nem pensar, onde já se viu?
De repente o estalo: Carambola? Carambola, seria uma boa. Analisou e decidiu. Ufá, acabou de entrar na garagem. Foi por pouco.
- é aqui que moro, minha carambola.
A beldade abriu um sorriso e logo uma reboladinha.
- Caramboooola?
- Você vai fazer o maior sucesso com este nome. Já pensou nas manchetes: Mulher carambola, a nova funkeira do pedaço. Disse Bob com todo seu charme.
Ela se derreteu toda.
Já na cama, babando como um São Bernardo, Bob passou a mão nos peitos da carambola, que na verdade se chamava Jucycléia. Meio sem jeito, ela falou:
-não aperta. Tem pouco tempo que coloquei o silicone. E esse papo que tá tudo estourando me deixa nervosa.
Bob compreensivo, partiu em direção aqueles lábios carnudos. Como uma borboleta que delicadamente levanta vôo de uma flor, Jucycléia, ou melhor, a carambola, o afastou.
- que foi? Indaga Bob já meio sem paciência.
Carambola com um meio sorriso, disse que o botox ainda doía. Assim, beijar com fervor só daqui alguns dias.
Sem perder as esperanças, Bob foi passando a língua na barriga de Jucycléia, e descendo, descendo. Depois que passou do umbigo, ela deu um pulo. Para! Para! Bob respirou fundo.
- o que foi dessa vez?
Minha tatuagem na virilha. Não deu muito certo, inflamou. Ainda dói muito.
Como um guerreiro que não desiste nunca, Bob colocou a carambola de bruços. Sem muito interesse, e calma como uma freira, Jucycléia falou:
- só olha, não aperta.
- cacete! Por quê?
- Amor, é o silicone. Ainda não tá fixado legal. O médico disse para não fazer esforço, pois pode deslocar. Explicou Jucy.
Bob caiu para o lado e adormeceu. No dia seguinte, o MSN fervia de mensagens. E ae? Como foi?
Triste e desolado, Bob escreveu:
As frutas de hoje estão cheias de agrotóxicos. Não dá para comer. Carambola então só dá pra olhar.
Ninguém entendeu nada, e a paciência de Bob se esgotou na noite anterior.
Desligou e foi para a praia.
Aurílio Nascimento
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